Ciência

Navio naufragado mais antigo do mundo, com até 4.700 anos, encontrado ao largo da Turquia

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Um jarro que sobreviveu ao seu navio

Arqueólogos que trabalham ao largo da costa da Turquia dizem ter identificado o naufrágio mais antigo conhecido do mundo. A embarcação data da Idade do Bronze Antiga e tem até 4.700 anos, o que a situaria cerca de mil anos antes do mundo grego clássico e bem antes de qualquer registo escrito de navegação que tenha sobrevivido.

Os mergulhadores usaram um tubo de sucção para limpar o sedimento do local, expondo um grande jarro cerâmico de armazenamento com gargalo estreito e duas asas. O jarro sobreviveu onde a madeira do navio não resistiu. Materiais orgânicos como madeira, corda e pano de vela raramente duram milénios debaixo de água, a menos que estejam enterrados em sedimento pobre em oxigénio, pelo que a carga e qualquer lastro de pedra sobrevivem frequentemente ao próprio casco.

Porque é que a data importa

As economias da Idade do Bronze dependiam do transporte de metais. O cobre e o estanho raramente ocorrem no mesmo lugar, e fazer bronze exigia transportar um até ao outro. Um naufrágio desta idade é prova direta dos navios, tripulações e rotas que tornaram esse comércio possível, em vez de uma inferência a partir de cerâmica encontrada em terra.

Já foram encontrados barcos mais antigos, mas eram embarcações costeiras ou canoas preservadas na lama. Um naufrágio de alto mar com carga é um tipo diferente de prova. Mostra uma embarcação carregada para uma viagem, perdida em águas abertas, com mercadorias ainda empilhadas onde a tripulação as deixou.

O que vem a seguir

A equipa diz que o local será mapeado e amostrado antes de qualquer material ser retirado. Resíduos orgânicos dentro do jarro poderão revelar o que transportava, e fragmentos de madeira, se algum sobreviver no sedimento, poderão ser datados por anéis de árvore ou métodos de carbono.

Datar um naufrágio tão antigo raramente fica resolvido por uma única medição. Os arqueólogos comparam estilos de cerâmica, resultados de radiocarbono e a estratigrafia do fundo do mar em torno do casco. Uma alegação de 4.700 anos será testada por outros laboratórios antes de ser amplamente aceite.

A costa da Turquia produziu uma série de importantes achados subaquáticos, em parte porque rotas movimentadas da Idade do Bronze passavam por ali e em parte porque o equipamento de levantamento moderno chega agora a profundidades que os mergulhadores antes não alcançavam. Cada novo naufrágio acrescenta um ponto a um mapa que os historiadores reconstruíram sobretudo a partir de cargas de navios encontradas em praias e museus.

Fonte: BBC News