Meio ambiente

Novos planos climáticos prometem metade dos cortes de emissões que a ONU esperava

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Os números moveram-se no sentido errado

Uma nova contagem dos planos climáticos nacionais conclui que os governos prometem agora cerca de metade dos cortes de emissões que as Nações Unidas esperavam há um ano. Os mais recentes compromissos deixariam as emissões de 2035 apenas 6 por cento abaixo dos níveis de 2019, em comparação com os 12 por cento projetados na avaliação do ano passado.

O resultado coloca o mundo numa trajetória de aquecimento entre 2,1°C e 3,2°C até ao final do século, dependendo do que os países fizerem depois de 2035. A estimativa do ano passado era de 1,9°C a 3,0°C. A mudança é modesta em graus e grande em consequência, porque cada fração de grau altera o calor, a precipitação e o risco para as colheitas.

Porque é que os planos enfraqueceram

Duas coisas mudaram. Os Estados Unidos saíram do Acordo de Paris, retirando do compromisso coletivo as emissões do maior emissor histórico do mundo. Vários outros governos apresentaram metas mais fracas do que o esperado, citando custos, segurança e a dificuldade de aprovar legislação interna.

A maior parte do défice situa-se na década de 2030. As políticas atuais continuam a curvar a trajetória para baixo, mas os novos compromissos assumem uma retirada mais lenta das centrais fósseis e uma adoção mais lenta de veículos elétricos do que os analistas tinham modelado há um ano.

Três semanas para a COP31

A avaliação surge antes da abertura da cimeira COP31 em Antalya, na Turquia, a 9 de novembro. O comércio é uma disputa viva: a China quer que os tarifas sobre tecnologia limpa sejam discutidas, enquanto o Brasil e outros tentaram manter a agenda restrita. Os negociadores africanos querem espaço dedicado ao financiamento da adaptação e ao Fundo Verde para o Clima.

A presença é outro sinal. Apenas 77 chefes de Estado ou de governo estão agendados para falar, cerca de um terço menos do que o pico na COP28. A União Europeia vai pressionar por um pacote de mitigação destinado a transformar os compromissos existentes em políticas executadas, em vez de novos anúncios.

Para os países vulneráveis a aritmética é crua. Os custos de adaptação sobem mais depressa do que o financiamento chega, e uma cimeira mais pequena com compromissos mais fracos torna um resultado forte mais difícil de montar. Os planos submetidos este ano não serão revistos novamente até ao próximo ciclo, o que significa que a lacuna medida agora moldará a década.

Fonte: Climate Home News