Um historiador em uma tempestade política
Lonnie Bunch III deixará seu posto como secretário da Instituição Smithsonian até o final do ano, anunciou na terça-feira, encerrando um mandato que o colocou no centro de uma disputa política sobre como a América conta sua própria história.
Bunch, 73, é o 14º secretário do Smithsonian e o primeiro negro e o primeiro historiador a liderá-lo. Ele trabalha na instituição há 38 anos e atua como seu principal oficial desde 2019.
Pressão da Casa Branca
Antes de liderar toda a instituição, Bunch foi o diretor fundador do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, inaugurado no National Mall em 2016. Em um comunicado, Bunch disse que sai com emoções mistas e gratidão sincera. Ele chamou o Smithsonian de um dos grandes amores de sua vida e disse ter enorme confiança nas pessoas que levarão a instituição adiante.
O anúncio vem após meses de críticas crescentes da administração Trump. A Casa Branca pressionou por mudanças no Smithsonian, incluindo uma ordem executiva em março que pedia a remoção do que descreveu como ideologia imprópria dos museus e programas da instituição. Autoridades da administração também enviaram uma carta em 28 de agosto alertando que agências federais podem parar de trabalhar com o Smithsonian, a menos que sua liderança mude. Bunch disse em entrevistas que sua aposentadoria não estava relacionada a essa pressão.
O que acontece depois
O Conselho de Regentes do Smithsonian liderará a busca por um novo secretário, um processo que provavelmente renovará o debate sobre a direção da instituição. O senador Alex Padilla, da Califórnia, cujo comitê supervisiona os assuntos do Smithsonian, disse que a independência da instituição deve ser defendida. O Smithsonian opera 21 museus e o Zoológico Nacional e recebe financiamento federal anualmente, o que dá à Casa Branca e ao Congresso influência sobre suas operações.