Saúde

Bebidas energéticas ligadas a relatos de parada cardíaca em jovens adultos

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Bebidas energéticas com cafeína e suplementos estimulantes aparecem muito mais frequentemente do que o esperado em relatos federais de ataques cardíacos e paradas cardíacas entre jovens adultos, segundo pesquisa apresentada nas Sessões Científicas 2026 da American Heart Association em Chicago.

O que a análise encontrou

O estudo, resumo MDP0323, examinou relatos enviados à Food and Drug Administration sobre eventos adversos ligados a produtos com cafeína e estimulantes. Relatos envolvendo bebidas energéticas ou suplementos tinham cerca de 4,5 vezes mais probabilidade de mencionar um ataque cardíaco e quatro vezes mais probabilidade de mencionar arritmias ventriculares ou palpitações.

O padrão foi mais forte entre adultos de 18 a 34 anos, o grupo que mais consome esses produtos.

Causalidade ainda não comprovada

Os achados são preliminares e não passaram por revisão por pares. Bancos de dados de relatos registram o que consumidores e clínicos enviam, não diagnósticos verificados, e não podem mostrar que uma bebida causou um evento.

Este estudo levanta preocupações de que produtos com quantidades muito altas de cafeína podem ser prejudiciais ao sistema cardiovascular, disse Gregory Marcus, da Universidade da Califórnia em São Francisco, que preside a declaração de 2026 da associação sobre cafeína e doenças cardiovasculares. Ele acrescentou que outros fatores podem ter influenciado os resultados.

Brian Downey, diretor de cardiologia geral do Tufts Medical Center, disse a uma emissora de televisão de Boston que a diferença era bem maior do que se esperaria ver.

O que os médicos sugerem

Cardiologistas dizem que pessoas com arritmias, pressão alta, ansiedade ou problemas de sono devem ter cuidado com cafeína em altas doses. Misturar bebidas energéticas com álcool ou exercício intenso aumenta ainda mais o risco.

Os Estados Unidos não limitam a cafeína em bebidas energéticas, embora vários países exijam rótulos de advertência e alguns restrinjam a venda a menores. O estudo aumenta a pressão por regras de rotulagem e dá aos clínicos uma pergunta concreta a fazer a pacientes mais jovens que chegam com palpitações.

As vendas dos produtos continuam subindo, especialmente entre adolescentes e universitários, razão pela qual os cardiologistas dizem que a questão importa mais agora do que há uma década.

Fonte: American Heart Association