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Espanha empurra migrantes de volta para Marrocos enquanto crise na fronteira de Ceuta se aprofunda

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Uma travessia em massa surpreende o enclave

Dezenas de milhares de pessoas cruzaram de Marrocos para Ceuta, enclave espanhol na costa norte-africana, num movimento que sobrecarregou as autoridades locais. A onda chegou após meses de tensão crescente sobre as rotas migratórias para a Europa. Autoridades locais disseram que o número de chegadas em um único dia não tinha precedentes. Ruas ficaram lotadas e serviços de emergência lutaram para manter a ordem. Muitos migrantes eram homens jovens, mas famílias com crianças também estavam entre a multidão. Abrigos e centros de acolhimento ficaram sem espaço em poucas horas.

Posição dura da Espanha

A Espanha respondeu empurrando milhares de migrantes de volta para Marrocos. A medida atraiu duras críticas de grupos de direitos humanos, que disseram que isso negava o direito de pedir asilo. O primeiro-ministro Pedro Sánchez defendeu as ações e acusou alguns países da UE de reações que chamou de egoístas e ilegais. Enviou uma carta a Bruxelas reclamando das respostas de outros Estados-membros. A Itália disse que suspenderia temporariamente o acordo de fronteira aberta de Schengen com a Espanha. Suspender Schengen é um passo raro e grave.

Morte e divisão

Pelo menos 34 pessoas morreram tentando chegar à Espanha durante a crise, segundo autoridades e grupos de resgate. Barcos com migrantes afundaram em mares agitados. As mortes aumentaram o custo humano de uma disputa política que dividiu a UE. Alguns líderes pediram controles de fronteira mais rígidos e deportações mais rápidas. Outros exigiram vias legais para migração e mais ajuda aos países de origem. A crise reavivou a antiga discussão: a Europa deve construir muros ou abrir portas? Sem uma política comum à vista, Ceuta virou símbolo de um continente que não consegue concordar sobre migração.

Source: The Guardian