Uma venda supervisionada pelo tribunal
A Character Technologies, a empresa por trás da plataforma de chatbot Character.ai, pediu falência ao abrigo do Capítulo 11 no Delaware a 12 de outubro. No seu pedido, a empresa listou ativos e passivos estimados entre 50 milhões e 100 milhões de dólares cada.
O processo destina-se a apoiar a venda de todo ou da maior parte do negócio. A Disney concordou, antes do pedido, em atuar como licitante de referência, oferecendo 20 milhões de dólares por uma licença perpétua não exclusiva de certa propriedade intelectual, juntamente com serviços de transição prestados por antigos funcionários da Character.ai que contratou. Essa oferta estabelece um piso, e outros compradores podem superá-lo. A venda deverá ser concluída no final de novembro ou início de dezembro.
Ações judiciais sobre a segurança dos adolescentes
A Character.ai permite aos utilizadores conversar com bots modelados a partir de celebridades e personagens fictícias, ou criar os seus próprios. Os bots respondem com sinais semelhantes aos humanos, acrescentando referências a gestos e expressões. O produto cresceu rapidamente após o lançamento em 2021 e tornou-se uma das aplicações de IA de consumo mais conhecidas da era ChatGPT.
A empresa enfrentou desde então uma vaga de alegações de que a sua aplicação contribuiu para problemas de saúde mental e suicídios entre adolescentes. Karandeep Anand, contratado como diretor-executivo em 2025 para melhorar o seu historial de segurança, saiu no mês passado para se tornar diretor de tecnologia da Disney.
O que acontece à aplicação
A Character.ai diz que a plataforma continuará a funcionar durante o processo. Se nenhum comprador disposto a operá-la se apresentar, o serviço seria encerrado e a sua tecnologia vendida em partes.
O caso é um teste ao que acontece às empresas de IA de consumo que crescem rapidamente com base no envolvimento, mas não conseguem cobrir os seus custos quando chegam as faturas legais e de segurança. A Wilson Sonsini está a aconselhar a empresa, com a Areté Partners como consultora de reestruturação e a Houlihan Lokey como banco de investimento.