Pesquisadores do Mass General Brigham descobriram que a vacina Bacillus Calmette-Guerin (BCG), desenvolvida há um século para prevenir a tuberculose, pode remodelar as células imunológicas ao redor do cérebro e alterar biomarcadores da doença de Alzheimer. As descobertas, publicadas na Communications Medicine, oferecem uma explicação biológica para observações anteriores que ligavam a vacinação com BCG a um menor risco de Alzheimer.
Como a BCG afeta o cérebro
O ensaio clínico de um ano estudou idosos com e sem evidências de biomarcadores da patologia do Alzheimer. Em participantes livres da doença, a BCG promoveu maior responsividade nas células imunológicas do líquido cefalorraquidiano — um efeito de imunidade treinada observado anteriormente em outros tecidos. A vacina também alterou os níveis de beta-amiloide, um biomarcador chave do Alzheimer, diminuindo-o no líquido cefalorraquidiano enquanto o elevava na corrente sanguínea ao longo de 12 meses.
O momento importa
Em participantes que já apresentavam patologia do Alzheimer, a BCG não mostrou efeito mensurável nos níveis de amiloide, sugerindo que a janela de benefício da vacina pode estar nos estágios iniciais ou pré-sintomáticos. Esse efeito dependente do momento pode influenciar como os médicos pensam sobre o uso de terapias moduladoras do sistema imunológico para doenças neurodegenerativas.
Da vacina contra tuberculose à terapia cerebral
A BCG é uma das vacinas mais amplamente administradas da história, geralmente administrada no nascimento em países com altas taxas de tuberculose. Se ensaios maiores confirmarem seus efeitos neuroprotetores, ela poderia oferecer uma intervenção de baixo custo e prontamente disponível para a prevenção do Alzheimer, particularmente em regiões onde os medicamentos direcionados à amiloide permanecem inacessíveis ou indisponíveis.